Luigi Rotunno

3 atitudes para enfrentar a crise

0 72
[mk_image src=”https://luigirotunno.com.br/wp-content/uploads/2016/06/03-atitudes-para-enfrentar-a-crise-0221.jpg” image_width=”600″ image_height=”450″][mk_padding_divider size=”10″]

Que o Brasil está enfrentando uma crise econômica profunda, isso todos já sabemos. Várias pessoas fazem a comparação dessas dificuldades econômicas com as do passado amenizando a gravidade. É necessário separar os ciclos econômicos do Brasil entre antes e depois do Plano Real de 1994 (programa brasileiro criado 27 de fevereiro de 1994 com o objetivo de estabilizar a economia do País com reformas econômicas e instituir a Unidade Real de Valor – URV. O plano estabeleceu regras de conversão e uso de valores monetários, iniciou a desindexação da economia e determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real). Até porque toda uma geração até os 30 anos de idade não vivenciou pessoalmente os violentos ciclos de inflação anteriores. Estamos entrando no pior ciclo econômico pós-Plano Real.

Qual atitude deve tomar um empresário para superar essa crise? Infelizmente não existe uma solução milagrosa, mas é fato que algo devemos fazer.

 

O papel do empresário

Nesse momento, o empresário deve exercer um papel importante para ajudar o Brasil a sair da crise. Ele é o elemento criativo que vai achar a saída, lá onde os políticos falham. Precisamos entender que a solução não virá dos políticos, mas sim da inteligência e criatividade das empresas brasileiras.

Seguem algumas dicas destinadas às médias e pequenas empresas.

 

A teoria do “alfinete”

Seu maior aliado em época de crise é seu colaborador. Ele deve ser sensibilizado das dificuldades que a empresa está ou pode vir a passar. O colaborador é o maior usuário da empresa, pois passa oito horas por dia exercendo sua função. Muitas vezes, sabe mais do que o dono ou o diretor geral onde existem os desperdícios e qual é a forma para evitar as perdas. Cada economia, até mesmo do tamanho de um “alfinete”, serve nessas horas, assim como teorizado pelo pai da economia, Adam Smith. É preciso criar uma filosofia de economia de custos constante, que seja fortemente entendida e compartilhada entre os colaboradores. Vários métodos de sensibilização podem ser utilizados iniciando por pequenas reuniões de grupos setoriais. Essa metodologia é delicada, os líderes devem ser muito bem instruídos sobre como transmitir o recado.

Existem alguns erros que não podem ser cometidos: jamais transmitir o sentimento de que os colaboradores podem perder o próprio emprego. Se dentro de um discurso o empresário deseja tocar no assunto, o ideal é que se faça uma alusão aos amigos e parentes de seu colaborador que não estão encontrando uma colocação no mercado de trabalho. Dessa forma, é possível mostrar que a empresa pode crescer e ajudar os outros a se recolocarem. O segundo erro é cortar os benefícios dos colaboradores. Se seguir esse caminho, eles jamais irão entender que devem ajudar a empresa. O único caso possível de redução de benefícios se justificaria caso o fundamento principal seja evitar cortes de efetivos. Nesse caso, porém, é necessária uma explicação com a máxima persuasão possível, para que todos se sintam parte desta honrosa atitude.

O papel da inovação

Algumas empresas enfrentam essa crise se utilizando de reservas acumuladas nos últimos anos. Todo verdadeiro empresário coloca seu patrimônio na sua empresa para salvá-la, mesmo correndo o risco de sair no prejuízo. Saiba disso. O capitão da empresa não deixa sua conquista afundar pulando do barco.

Como aplicar esse recurso limitado para trazer resultados? Essa é a questão. Aconselho investir em novas tecnologias. É preciso simplificar os procedimentos e reforçar a segurança da gestão dos estoques e das informações. É possível notar a circulação de muito papel dentro das empresas, sendo que algumas tarefas poderiam ser automatizadas. A presença de papel demonstra deficiências no método de trabalho. Aproximadamente 35% das empresas norte-americanas adotaram medidas efetivas para a redução do uso de papel, aponta um levantamento elaborado pela AIIM, organização não-governamental que reúne profissionais de informação.

De acordo com Jorge Edison Ribeiro, especialista em gestão de processos, ainda não há um estudo preciso sobre os hábitos de consumo de papel no ambiente corporativo no Brasil, mas ele já enxerga uma proporção semelhante às empresas estadunidenses em alguns escritórios de Curitiba.

Ribeiro destaca que, em um mundo tão digital, muito papel ainda está sendo desperdiçado por falta de costume em lidar com novas práticas no cotidiano de trabalho. Sendo assim, 45% dos documentos que são escaneados acabam sendo impressos. Muitas pessoas ainda se sentem mais confortáveis com o documento em meio físico ou sofrem da “síndrome de São Tomé”: precisam tocar para acreditar. “O que freia o processo de redução de uso de papel é a falta do conhecimento das tecnologias existentes”, aponta Ribeiro.

Em um mundo hiper conectado, soluções de conectividades têm mais eficiência que obras físicas. Por exemplo, proporcionar uma conexão wifi para seus clientes é, nesse momento, mais importante do que uma reforma de um ambiente físico. Primeiro a internet, depois o conforto. Esse é o fator decisivo de muitos hóspedes ao escolher um hotel. Após fazer o check- in, a primeira coisa que o hóspede pergunta ao recepcionista é a senha do wi-fi que, para um hotel, é importante que seja free. Em um estudo recente, de 10 mil hóspedes entrevistados, 40% afirmaram que a pior coisa que pode acontecer em sua viagem é ficar sem internet, praticamente incomunicável, longe de família e amigos.

No comércio, abrir uma loja online pode ser mais interessante do que abrir outra filial para tentar duplicar os negócios. Permite atingir novos mercados com a flexibilidade do meio virtual.

Siga o caminho contrário

O reflexo da maioria dos empresários é similar. A atitude vai mudar conforme o grau de conservadorismo do perfil empresarial. Atormentados por notícias negativas, o medo toma conta dos negócios e qualquer queda de receita será vinculada à crise econômica. Poucos perceberão que talvez isso seja ligado à própria deficiência do serviço prestado. A crise ajuda até na autoestima de alguns empresários que, assim, podem justificar sua incapacidade comercial. Bizarro, mas é assim mesmo.

Geralmente, nos casos de crise, o foco principal do empresário vira o cliente. “Não podemos perder nenhuma venda”, é o discurso clássico. É correto, porém não se esqueça que nesse cenário o cliente se torna oportunista, mesmo o mais fiel! Entretanto, é normal que em períodos econômicos difíceis, as empresas cortem custos e fiquem mais agressivas comercialmente. Nesse cenário, você deve seguir um caminho diferente ou as probabilidades de ser notado nesta avalanche de promoções será mínima. Seguir o padrão de “salve-se quem puder” significa correr rumo a um possível desastre. Seja do contra! Busque ser diferente e criativo. Os varejistas fazem isso muito bem. Por exemplo, comprar um litro de amaciante e ganhar 100 ml grátis vende mais do que o concorrente que oferece 10% de desconto! “Culpa da crise”, é a justificativa de alguns incompetentes, diz o mestre em comunicação e consumo pela ESPM, Marcos Hiller. Certa vez o publicitário Nizan Guanaes disse que “enquanto uns choram, eu vendo lenços”. Vamos vender lenços!

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.