Luigi Rotunno

Criatividade em tempos de Crise

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O ser humano mais trabalhador que conhecemos terá um fundo de preguiça, se colocado em um contexto específico, o conforto. As pessoas trabalham para ter mais conforto na vida e, poder realizar seus desejos materiais através dos ganhos que produzem. Isso é um ciclo comum na vida da maior parte das pessoas, diferenciando cada um de nós pelo nível de desejo individual que, por sua vez, irá influenciar no esforço e na criatividade para alcançar tais metas.

 O ponto de chegada é a conquista! Ela se caracteriza pela satisfação que sentimos quando aquele desejo é realizado. Em seguida, podemos querer mudar nossa meta para algo maior e, assim vai… Até descobrirmos que nunca seremos totalmente satisfeitos nesse mundo hiperconsumista, que nos educa a querer sempre mais, em nome da chamada economia capitalista de massa. De fato, existe uma verdadeira cobrança, utilizada com freqüência, até mesmo por parte dos políticos, em caso de crise econômica, dizendo: “as pessoas pararam de gastar, por isso estamos em recessão econômica”; ou algo semelhante ao discurso: “as pessoas devem ter confiança e gastar mais para estimular a economia”. Nenhum desses “especialistas econômicos” pensou que as pessoas não têm mais dinheiro? Isso mesmo! Muita gente, simplesmente, não chega ao final do mês com o menor resquício de salário e não tem como gastar. Entretanto, com esse discurso, cria-se uma sensação de culpa no consumidor que não gasta, como se fosse um comportamento necessário para salvação da economia da nação.

 Sempre acreditei que a verdadeira felicidade existe na pobreza, pois nela, as pessoas não precisam de máscaras sociais. Lembro-me de minha infância, vivida em condições muito simples, onde montávamos intermináveis mesas com primos, tios, diversos parentes e amigos para os almoços de domingo, almoços esses que viravam jantares regados a risos e boas histórias. Não era importante a marca do vinho, ou “menu”, gostoso era comer “pasta” em uma panela gigante, segurada por duas tias e, uma terceira fazendo os pratos com uma enorme colher, fazendo a alegria de todos. O vinho era servido em jarras de dois litros e todos cantavam juntos, brindando a vida e a oportunidade daqueles momentos. Isso para mim é felicidade! Pode ir ao mais luxuoso Fasano de São Paulo e jamais verá os sorrisos que minha infância gravou na memória. Posso testemunhar, com propriedade, por conhecer os dois ambientes!

 Você, leitor, deve estar se perguntando o que essa saudosa história tem a ver com tema em questão?!?

Muito!

A criatividade tem algo similar à felicidade, ela tem um estímulo maior em situações de simplicidade ou precariedade. Algumas das maiores stratup’s do mundo nasceram em situações parecidas, os aportes financeiros permitiram o crescimento, mas a ideia, em si, veio em uma situação de necessidade. Foi assim que Airbnb pensou em dividir um quarto para pagar o custo de uma hospedagem, por exemplo, dando início inconscientemente a uma empresa de 25 bilhões de dólares, em menos de 08 anos. Facebook foi criado para paqueras e festas entre estudantes, nem sei quanto vale hoje… Em um momento de crise econômica a criatividade é fundamental e nas pequenas empresas, isso é quase óbvio!

 A falta de recursos gera um automático comportamento criativo para sair do ciclo difícil. Nas empresas maiores, a conduta é outra. Acostumados a realizar seu trabalho com um orçamento aprovado, os colaboradores passam a culpar a falta de recursos para não produzir coisas novas. Estão na famosa zona de conforto que virou um estado de direito. Longe de entender os meandros do empreendedorismo que, é tudo, menos uma ciência certa e garantida! Empreender se parece muito com as montanhas russas, sorrindo quando sobe e gritando quando desce. Mais do que recursos financeiros, às vezes, precisamos nos esforçar na criatividade, colocar nosso pensamento fora da caixa e buscar inovar com o que temos disponível. E essa lição, aprendi ao longo dos meus anos de vida no Brasil.

“No sambar, o Brasil me ensinou os movimentos do corpo.

No chorar, o Brasil me ensinou a emoção.

E no fazer, o Brasil me ensinou a criação”.

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