Luigi Rotunno

Empresário x Político

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A “Operação Fraternos”, realizada pela Polícia Federal, recentemente, no Sul da Bahia e em alguns Estados me levou a fazer questionamentos sobre os valores éticos e financeiros evidenciados nas investigações. Não posso negar que, enquanto cidadão e investidor, me preocupo com o desfecho de mais essa história de corrupção no Brasil. Muitos podem estar se preguntando:

Qual seria a necessidade de um empresário interessar-se pela política de um município?

Não é um questionamento difícil de ser respondido, afinal, quando uma cidade é bem administrada, as possibilidades de negócios prósperos são imensamente maiores, já que a realidade sócio-econômica interfere diretamente na atividade comercial de um empreendimento e, é o empresário que assume os riscos financeiros do investimento, independente do cenário político daquela região. Por isso faz-se necessário ter uma participação crítica e ativa no processo público.

A importância do Empresariado em um Município

Vale ressaltar que a importância do empresariado em um município, normalmente, é medida pelo tamanho do município e não do empresário. Em uma cidade como São Paulo-SP, por exemplo, uma empresa de 400 colaboradores é pequena, enquanto para Porto Seguro-BA, é uma grande organização. Administrar uma empresa de médio e grande porte significa sofrer pressões dos políticos que querem o seu dinheiro, o voto dos seus colaboradores (que para eles são meros números nas urnas) e a sua notoriedade, como se o sucesso do empreendimento fosse fruto do município e não dos tantos anos de trabalho daquele empreendedor.

Os excessos de fiscalizações, represálias e morosidade em processos são as principais estratégias utilizadas para perseguir aqueles que não são coniventes com os atos ilícitos e até mesmo patrocinadores dos sistemas corruptos e coronelistas que tentam impor, denegrindo uma Constituição e a dignidade do cidadão, montando um esquema onde quem não é a favor é tido como “alguém do contra”.

A Mídia e a Corrupção

Infelizmente, nesse jogo de “contra e a favor” alguns políticos querem controlar a mídia. E conseguem! Porque esta, muitas vezes, não é capaz de sobreviver por conta própria e depende das verbas públicas para se manter. Então, fica de galho em galho, topa tudo por dinheiro e se vende ao primeiro que esteja disposto a pagar.

Não culpo os profissionais de comunicação por se corromperem, são micro-empresários e entendo que esse é o meio que encontraram para garantir seus negócios. Mas enquanto seus espaços publicitários e editoriais permanecerem tendenciosos, não terão ideal, nem filosofia própria, seguindo sem princípios e, por conseguinte, sem credibilidade.

 Teria solução para esta situação Empresário x Político?

 Sim! Esse é mais um questionamento de simples solução. Pode se calar e não se expor nas questões políticas da cidade, buscando se socializar fora do município, levando seus recursos para fora dele e se isolando de tudo por não poder interferir; ou exigir seus direitos. Não só como empresário, mas também como cidadão crítico, questionador e atuante em sua cidade. Na cidade que escolheu para viver, criar seus filhos, investir sua força de trabalho e seu capital, gerar emprego e renda, capacitar pessoas e assumir os riscos.

Quando o político afasta o empresário das questões públicas, o destino morre!

E sabe o que é pior? Ver uma cidade inteira vivendo de assistencialismo de cargos públicos, tendo que idolatrar políticos porque o empresariado não tem segurança em investir no município. Porto Seguro é um exemplo disso. Vemos outros municípios se despontando no cenário nacional e estamos aqui, esquecidos que temos uma Constituição, que existe um Judiciário e que ele funciona. Não podemos viver no medo de enfrentar o que não está certo. Não podemos ter medo dos políticos!

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