Luigi Rotunno

Estudar turismo está em baixa

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Nas últimas semanas iniciei uma pesquisa com meus amigos e colegas para saber se alguém tinha algum conhecido que cursava turismo na faculdade. Sejam filhos, amigos de amigos ou colaboradores que trabalham e estudam ao mesmo tempo, o resultado foi alarmante: nenhuma resposta positiva à minha pesquisa de rua.

Por que os jovens não estudam mais turismo? É uma pergunta importante para o segmento. Todo setor econômico em crise deveria procurar a solução nos jovens. Alguma coisa está desmotivando as pessoas a estudar essa área e, considerando que se trata do maior segmento da economia mundial, tem algo errado acontecendo no mercado brasileiro. O turismo tem um grande potencial de desenvolvimento, pois ainda é pouco explorado tanto no mercado doméstico quanto no internacional e, mesmo assim, nossa sociedade não enxerga nessa atividade um futuro profissional.

A maior startup do mundo, Airbnb, é ligada ao turismo. O mercado das agências online, como Booking.com, registra ganhos bilionários. A maior operadora da América Latina, a CVC, é brasileira e continua crescendo. Redes hoteleiras buscam espaços para construir hotéis no Brasil e, mesmo assim, estudar turismo está com baixo astral. Acho que vou recorrer a meu Pai de Santo de Oxóssi para reverter essa onda negativa!

Os 10 cursos superiores mais procurados no Brasil:

Direito
Administração
Enfermagem
Psicologia
Engenharia Civil
Educação Física
Fisioterapia
Ciências Contábeis
Pedagogia
Nutrição
*Ranking “Quero Bolsa” baseado na busca por vagas feita por dois milhões de estudantes no site oficial Quero Bolsa.

Uma análise interessante sobre esse aspecto é apresentado por Viviane Martins, presidente do CEVEC (Conselho Executivo de Viagens e Eventos Corporativos), que aborda o problema na questão da terminologia. O termo “turismo” é limitado, pois ele não abrange nem explica completamente o segmento que representa. Quando falamos de turismo devemos pensar em viagens, eventos corporativos e MICE (Meetings, Incentives, Congresses & Exhibitions — tradução: Reuniões, Incentivos, Congressos e Feiras), todos os segmentos que crescem neste mercado a cada dia.

O mundo do turismo

Por outro lado, continua um paradoxo. Quem trabalha com turismo é literalmente apaixonado pelo que faz. A maioria das pessoas que trabalha com viagens e turismo raramente troca de profissão. Elas são completamente imersas nesse mundo e adoram o que fazem. É um setor unido, composto de pessoas “bacanas” que criam uma gigante rede de relacionamentos. Todos focados no mesmo objetivo: vender e oferecer felicidade! Tem algo melhor na vida do que trabalhar com a alegria e bem-estar das pessoas? Tem certeza que prefere passar o dia inteiro olhando dentro da boca de seus pacientes em busca de uma cárie, ao invés de escolher a praia mais linda do mundo para uma lua de mel? O turismo é movido pela emoção e pelo entusiasmo de quem pratica essa profissão. Todos contagiados pela síndrome do turismo.

Será necessário exportar essa energia do segmento de onde atuamos para que outras pessoas possam ser contagiadas da mesma forma. O turismo brasileiro precisa pensar em seus sucessores, pois eles são o futuro imprescindível para o sucesso do presente. Precisamos importar uma visão contemporânea e inovadora dentro do turismo que nos mostre os horizontes do consumidor e explique o conceito de felicidade das novas gerações. Essa é nossa missão permanente: estudar a felicidade!

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