Luigi Rotunno

Jogos Olímpicos Rio 2016, o que temos para aprender?

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Acabei de voltar do Boulevard Olímpico depois de dois dias passeando pelas ruas e infraestruturas construídas no Rio de Janeiro, especialmente para os jogos. Milhares de pessoas inundam as calçadas em um clima 100% brasileiro. A estimativa de órgãos como a CNC (Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo) estima cerca de 1,4 milhões de turistas para esse período na capital fluminense. É nítido que esses jogos estão sendo um sucesso. A organização é impecável, desde o transporte à compra de ingressos, sem falar das inúmeras atividades culturais espalhadas pela cidade.

Táxi ou Uber, tudo funciona. Hotéis ou Airbnb, os serviços turísticos em suas mais variadas formas completam um destino turístico que já estava na vanguarda. Sites, internet de qualidade e aplicativos facilitam a transparência das informações e não deixam faltar realmente nada. São muito intuitivos e fáceis de serem utilizados.

Na entrada do Museu do Amanhã, o ingresso deve ser adquirido exclusivamente pala internet. Demorei cerca de três minutos para acessar e fazer a compra. Cheguei às 12h42 e entrei no horário das 13h00, sem nenhum tipo de problema. Caso você atrase por mais de 30 minutos, pode reprogramar seu ingresso nos próximos sete dias.

Ao longo do passeio no Boulevard Olímpico, é possível entrar nos pavilhões da Casa Brasil que oferecem um lindíssimo panorama dos atrativos turísticos nacionais e suas peculiaridades. O serviço de comidas e bebidas é garantido pelos Food Trucks colocados em várias praças oferecendo das mais variadas e originais gastronomias.

Resumindo: tudo parece funcionar perfeitamente. Portanto, estamos reclamando do quê? Se existe algo que devemos questionar, é a falta de tolerância! Parece que o nível de exigência das pessoas ficou tão alto que o mínimo problema se torna um motivo de vaia. Acredito que as mídias têm uma forte responsabilidade neste processo de vivermos insatisfeitos, como se a notícia negativa fosse a única a criar audiência.

Quando as pessoas buscam seguir uma corrente do “bem”, que as deixe mais felizes e motivadas, as mídias, de forma geral, estão explorando o lado do “medo”. Essa forma de comunicar, pouco tem a ver com o desenvolvimento do espírito de crítica construtiva, que deveria ser a missão principal da informação.

Um exemplo radical da mudança de nosso comportamento são as vaias em público que viraram um hábito. Além dos políticos, estamos vaiando tudo. Quando um time brasileiro joga, vaiamos os adversários; se os brasileiros jogam mal, dois minutos depois vaiamos os brasileiros; se os brasileiros perdem, os insultamos como se perdessem de propósito. A sorte é que é proibido entrar na Vila Olímpica com panelas! Já pensou o contrário?

O verdadeiro valor de uma população que deseja o melhor para seu País não passa obrigatoriamente pela crítica compulsiva, mas precisa de ideias e pessoas que queiram construir um futuro melhor.

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