Luigi Rotunno

O Brasil e o desejo de uma Renovação Política

Todos os candidatos que representavam uma possível mudança, um movimento de renovação, com perfis competentes e comprometidos, deram marcha ré.

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É preciso reconhecer que essa campanha política deu assunto para os jornalistas e empresas de pesquisas, como nunca havia acontecido anteriormente. Parece uma montanha russa de candidatos que sobem e descem com percentuais que tentam revelar o voto dos brasileiros e a verdade que irá para as urnas no próximo dia 07.

As pesquisas políticas de intenção de votos dos últimos anos revelaram, no mundo inteiro, que são pouco confiáveis, contudo, no Brasil, a mídia afirma que elas são 98% confiáveis. Alguns falam até em 100% de probabilidade de representar o resultado das eleições. Eu, francamente, não imagino como isso possa ser possível, mas todo esse movimento de números tem um objetivo definido e não precisamos de muitos indícios para perceber.

Nós, brasileiros, temos um comportamento diferente de muitos outros povos, gostamos de fazer filas! Isso mesmo, preferimos entrar em uma fila, pois acreditamos que onde tem fila tem um bom motivo. Nós preferimos esperar na fila de um restaurante, ao invés de sentar no vizinho onde tem vagas, por exemplo. Existe uma necessidade de fazer parte do grupo, medo de ser excluído ou medo de ser o único que “errou”.

Tudo que é diferente nos incomoda um pouco, preferimos a escolha da massa, do volume, do trio elétrico, do abadá, aquelas escolhas onde todos somos iguais. Sentimos-nos protegidos pela quantidade de pessoas que estão juntas conosco, em qualquer circunstância.

O que faz, principalmente, os eleitores mudarem sua preferência eleitoral é esse efeito de onda, na qual queremos surfar como todos os outros. Afinal, não importa quem ganha, o que importa é eu votar no candidato que vai ganhar! Isso mesmo. Parece o jogo do bicho! Cachorro, gato ou elefante? Antes de jogar, vou perguntar para o meu vizinho, vai que erro sozinho?!

Para mim, essas eleições estão sendo uma verdadeira decepção. Todos os candidatos que representavam uma possível mudança, um movimento de renovação, com perfis competentes e comprometidos, deram marcha ré, ou estão muito longe de uma pesquisa que possa ter algum valor além de simbólico. A onda de renovadores composta por nomes importantes tais como: cogitava-se Luciano Huck, Flávio Rocha ou até Joaquim Barbosa, não passaram de uma simples esperança. O partido NOVO 30 de João Amoedo, mais estruturado, está lutando com suas convicções e está conseguindo uma leve visibilidade. A lição que vai ficar depois dessas eleições é que, política é coisa de profissionais, não adianta ser um super empresário, cheio de dinheiro, ou excelente administrador. Política é para políticos!

Para um empresário, suas metas são os resultados efetivos de seu trabalho, metas financeiras e sustentáveis. Ele mede seu desempenho conforme a lucratividade e crescimento. Seu sucesso como líder pode gerar um grupo de seguidores admiradores de seu talento. Para um político sua meta é o número de votos que ele representa, um verdadeiro tesouro que ele vai proteger com garra e raiva. Esses votos não têm relacionamento com seu desempenho como administrador público, seus resultados com as finanças públicas ou sua capacidade técnica. Tem a ver com seu carisma, suas promessas de campanha e, a cima de tudo, sua capacidade de falar o que o povo quer ouvir! Políticos são como médicos que prescrevem, unicamente, remédios com gosto de framboesa.

Não vai ser dessa vez que o Brasil vai mudar da forma que gostaria. Continuarei sonhando com uma classe política honesta, que fará uma campanha com projetos verdadeiros e de forma participativa, um País em que todos teremos os mesmos direitos de estudar e acesso a um sistema de saúde eficiente; um Brasil sem privilégios para uma minoria, mas com benefícios para todos; um Brasil onde possamos cantar o Hino Nacional com o orgulho de que cada frase ali pronunciada reflita uma verdade contida em nossa História.

 

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