Luigi Rotunno

Os novos muros do Líder

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A queda do muro de Berlim, em 1989, foi um passo primordial para a mudança do conceito de liberdade no mundo e, deu um sinal definitivo que muros não devem mais ser construídos para separar as pessoas, raças, nações e conceitos. Donald Trump fala de construir muros entre o México e os USA, enquanto para o Papa Francisco, é preciso construir pontes. As pessoas, hoje, querem construir conectividade.

A sociedade que vivemos nessa pós-modernidade construiu pontes digitais que revolucionam completamente o conceito da informação e da comunicação entre pessoas. Atualmente, não nos falamos mais nem por telefone, em uma ligação convencional, deixando de lado o sentimento humano que a voz permite transmitir. Nos acostumamos a utilizar mensagens de texto, frias e sem expressão. As pessoas, hoje, têm a coragem de escrever por teclas o que elas não teriam manuscrito. Isso chega a ser engraçado e intrigante, pois demonstra uma impulsividade na comunicação que limita o pensamento.

Para Vygotsky, é o pensamento verbal que nos ajuda a organizar a realidade em que vivemos, pois um dos grandes avanços do homem diante dos outros animais se deu quando a espécie aprendeu a verbalizar pensamentos. Diante disso, me pergunto:

será que as pessoas realmente estão permitindo que o pensamento anteceda sua fala?

Nesse contexto, os novos líderes sentem-se confusos. Pois os muros da verticalidade empresarial caíram, mas os metafóricos ainda existem e são sensíveis nas relações humanas. Embora a pós-modernidade exija um perfil de liderança horizontal, muitos muros ainda precisam ser derrubados e um líder vive o desconforto

  • do “muro da opressão do pensamento”, onde tudo que ele falar, ou escolher, pode ser usado contra ele. Ele não pode ter um time de futebol preferido, um estilo musical, uma crença ou um partido político, que é suficiente para viralizar e receber ataques;
  • “muro que impede a liberdade de expressão” exigindo o extremo cuidado na exposição de idéias, pois elas podem não ser entendidas e, as interpretações são direcionadas de acordo com o que convém os sensacionalistas, esses que se aproveitam do imediatismo e pouca análise do público consumidor de conceitos rápidos e, às vezes, descartáveis;
  • “muro da provocação”, construído imediatamente ao alcance de visibilidade de um líder, onde as críticas nada construtivas chegam em forma de espiral girando em torno daquela pessoa que alcançou, com muito trabalho, o reconhecimento de outros e, por fim,
  • “o muro da intolerância”, onde a conectividade digital, que deveria ser multiplicador de experiências que respeitam a diversidade e a miscigenação, tornou-se uma arma destrutiva, mais eficiente para os radicais intolerantes, do que para os pensadores. Isso se justifica, principalmente, pelo fato que uma ideia negativa ganha corpo em poucos segundos por mexer com o ego das pessoas. Um conceito social e construtivo é muito mais profundo e necessita de um tempo maio dedicado à sua compreensão. Esse ritmo acelerado é um prato cheio ao sensacionalismo.

 Não permita que “muros” te limitem de ser líder e seguir conectando-se a pessoas, ideias e ideais. Derrube os muros!

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