Luigi Rotunno

Qual será o futuro dos políticos?

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A cada dia que passa, constatamos que ser um político, definitivamente, não é uma carreira profissional muito gratificante. Acredito que se fizéssemos uma pesquisa sobre as profissões mais respeitadas pelos brasileiros, ser político estaria brigando pelo último lugar.

A situação ficou tão crítica que, muitos políticos, hoje, andam de cabeça baixa, tentando disfarçar, evitando o contato com a população. Por onde quer que vão, deparam-se com manifestações, sejam nas ruas, aeroportos; são metralhados nas redes sociais por tudo que fazem, comem ou dizem; vivem um verdadeiro terror. Nada do que falam, seja correto ou errado, é isento de críticas, xingamentos e comportamentos agressivos. Vemos poucos fatos objetivos serem questionados e, em compensação, muitas reações impulsivas transbordando. O Brasil é uma eterna panela de pressão que precisa soltar seu vapor, esse explosivo e poderoso sentimento dos brasileiros que precisa e, deve ser exteriorizado. Não adianta coibi-los, pois a reação será ainda mais forte.

Está evidente que essa decadência do político é o resultado de sua própria atitude e, claro, do sistema de forma geral. Presumo que a maior parte da população não acredita mais na política, a tolera, pois não enxerga outra opção.

No mundo todo, a abstenção nas eleições políticas tem tido um aumento exponencial. No Brasil, o voto é obrigatório. Isso favorece a participação, mas a pouca crença na eficiência do voto, favorece o negócio da compra e venda, já que ele é visto por muitas pessoas como uma moeda de troca, uma espécie de mercadão de votos e cargos. Por esse motivo, nos deparamos ciclicamente com resultados eleitorais desastrosos e pouco lógicos. Tanto que, até políticos notoriamente corruptos, se reelegem.

Por que os políticos não fazem nada para mudar essa imagem?

A história que político anda com o povo nas ruas a cada quatro anos, é uma triste verdade. Mas acredito que nas próximas eleições, a recepção será um pouco diferente e, promete bastante exercício de repúdio e protesto, como: lance de ovos, tomates maduros, entre outras frutas da estação.

Em um mundo cada vez mais horizontal, os políticos não entendem a necessidade de mudar e “descer da pirâmide dos faraós”. Afinal, fizeram tantos esforços para chegar até o topo que enxergam a descida como um retrocesso e não uma aproximação com os que os elegeram. A vista pode ser bonita lá de cima, mas o comportamento, demonstra uma certa miopia.

Quem são os futuros políticos que vão reverter essa situação?

Por enquanto, nenhum. Os poucos políticos sérios que restam, são diluídos na massa e nem aparecem. Os brasileiros sérios que querem se fazer políticos, conseguem timidamente, decolar e, logo o voo termina em um pouso forçado gerado pela própria população que atira em todos os políticos sem distinção.  O comportamento sem ética de muitas pessoas é o espelhamento da classe política que desrespeita a população. Um círculo vicioso que se repete ao infinito e acelera de forma descontrolada.

 

O assunto é longo e complexo, mas deve ser abordado em grupos organizados da sociedade civil que têm o dever de afrontar essa situação.  A máquina que nos governa desandou e não adianta exigir que ela se concerte sozinha. Menos ainda, adianta achar que um politico sozinho, seja ele Presidente, Governador ou Prefeito, vai resolver a situação. Precisa cria uma consciência cívica que vai obrigar o sistema a mudar, mudando também as atitudes da população que, educada e politizada reconheça sua responsabilidade eleitoral e faça uso adequado de sua maior arma, o voto.

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